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Seletividade alimentar: Por que pessoas autistas podem ter preferência por alimentos de uma determinada cor?

Foto do escritor: Eduarda Longui
Eduarda Longui
30 de ago.
2 min de leitura

A preferência por alimentos de uma determinada cor é algo que pode aparecer em pessoas autistas e está frequentemente relacionada à seletividade alimentar no autismo e às diferenças no processamento sensorial.

É comum, por exemplo, uma criança ou adulto autista aceitar principalmente alimentos brancos, amarelos ou de outras cores específicas e rejeitar alimentos que fogem desse padrão.

Mas por que isso acontece?

Autismo e processamento sensorial

Pessoas autistas podem apresentar diferenças na forma como percebem estímulos sensoriais, incluindo visão, cheiro, textura, sabor e temperatura dos alimentos.

A aparência pode ser um dos primeiros estímulos percebidos durante uma refeição. Por isso, a cor de um alimento pode influenciar diretamente a sua aceitação.

Para algumas pessoas, alimentos visualmente semelhantes podem transmitir uma maior sensação de previsibilidade e segurança.

Por exemplo, uma pessoa que aceita arroz, pão e batata pode apresentar resistência quando é oferecido um alimento com uma aparência muito diferente, mesmo que o sabor seja agradável.

A cor pode estar relacionada à textura e ao sabor

A preferência por determinada cor nem sempre significa que a pessoa simplesmente “gosta daquela cor”.

Em muitos casos, a cor funciona como uma espécie de pista sobre o que esperar daquele alimento.

Um alimento de determinada aparência pode estar associado a uma textura, sabor, temperatura ou consistência que a pessoa já conhece e aceita.

Por isso, quando um alimento diferente é apresentado, a pessoa pode rejeitá-lo antes mesmo de experimentá-lo.

Isso faz parte da seletividade alimentar?

Pode fazer.

A seletividade alimentar no autismo pode envolver a aceitação de poucos alimentos, preferência por marcas específicas, recusa de determinadas texturas, temperaturas, cheiros, formatos ou cores.

Quanto mais restrito é o repertório alimentar, maior pode ser o risco de a alimentação ficar pouco variada.

Por isso, a seletividade alimentar não deve ser tratada simplesmente como “frescura” ou falta de vontade de comer.

Como a nutrição pode ajudar?

O objetivo do acompanhamento nutricional não é obrigar a pessoa autista a comer alimentos de todas as cores.

O trabalho pode começar pela ampliação gradual do repertório alimentar, respeitando as características sensoriais e o ritmo de cada pessoa.

Uma estratégia é utilizar alimentos que já são aceitos como ponto de partida para apresentar pequenas mudanças.

Por exemplo, se a pessoa aceita apenas alimentos de determinada cor, podem ser introduzidas opções visualmente semelhantes antes de avançar para alimentos com características muito diferentes.

O processo precisa ser individualizado e, quando necessário, contar com uma equipe multiprofissional.

Autismo e alimentação precisam ser avaliados de forma individual

Não existe uma alimentação única para todas as pessoas autistas.

A relação entre autismo, seletividade alimentar e processamento sensorial é complexa e deve ser avaliada individualmente.

Mais do que fazer a pessoa comer um alimento que ela rejeita, o acompanhamento nutricional deve buscar construir uma relação mais segura e confortável com a alimentação, aumentando a variedade sempre que possível e respeitando as necessidades de cada pessoa.

Seletividade alimentar não é frescura. E entender o motivo da recusa é um dos primeiros passos para ajudar.


 
 
 

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